— Mamãe! Vem aqui, mamãe!

Meu celular em forma de menininho de cabelos loiros toca, pontualmente, às 5h da manhã. Luto contra meus olhos, que insistem em permanecer fechados, enquanto envio comandos cada vez mais incisivos ao restante do corpo: levanta. Nenhum músculo acusa o recebimento da mensagem.

— Já vou, amor. Mamãe está acordando agora. Espera só um minutinho, por favor.

Ele, em modo soneca, não desiste. Enquanto eu não apareço na porta do quarto, segue tocando:

— Mamãe! Mamãe! Mamãe!

Quando finalmente apareço:

— É dia!

Ele me recebe com um sorriso radiante, como se a minha chegada à porta do quarto fosse o melhor presente que poderia ganhar no mundo.

— Colo! Colinho!

Abre os braços e já se atira em minha direção, completamente alheio aos seus dezoito quilos e a um metro de altura.

Depois de me encher de beijos, lança-me um olhar de canto e faz o pedido, como quem já sabe que está prestes a negociar:

— Um filminho só. Só um! Pequenininhooooo…

E, para reforçar o argumento, aproxima o polegar do indicador, formando entre eles um minúsculo túnel — a medida exata, segundo ele, de quão breve será o entretenimento.

— Só enquanto a mamãe se arruma, combinado? Quando eu terminar, é a sua vez!

— Combinado! — responde prontamente, com a convicção de quem acaba de fechar um excelente negócio.

— Promete? Sem trolar a mamãe?

Estreito os olhos. Conheço bem o meu pequeno negociador.

— Prometo de dedinho!

E já estica o mindinho na minha direção, pronto para selar o acordo com a solenidade que só os pactos realmente importantes exigem.

Com um sorriso no rosto, volto para o meu quarto e começo a me preparar para o dia. Pouco depois, retorno ao quarto do Senhor Bagunça e anuncio:

— Agora é a sua vez!

Já vou pegando o uniforme, a bombinha e o spray nasal, enquanto ele me observa com aquela expressão de quem percebe, tarde demais, que todo bom acordo vem acompanhado de algumas cláusulas.

— Nossa, mamãe! Mas você está cada dia mais rápida, hein? Assim não vale!

Protesta, indignado com uma eficiência que, segundos antes, aparentemente não fazia parte dos termos do acordo.

Entre um protesto e outro, colabora com a rotina de cuidados e, de repente, anuncia, cheio de iniciativa:

— Hoje eu vou fazer o papa!

No quarto ao lado, Helena termina de ajeitar o penteado e, como de costume, anuncia antes mesmo que eu pergunte:

— Não estou com fome!

— Sei… até sentir o cheirinho, né? — respondo, já sabendo exatamente como essa história termina.

Desço a escada com o Senhor Bagunça no colo e acendo a luz da cozinha.

Repito as regras de segurança para usar o fogão — mais uma vez, porque algumas regras merecem ser repetidas sempre.

Ele coloca a manteiga na frigideira e a inclina cuidadosamente de um lado para o outro até vê-la derreter por completo. Depois, quebra os ovos, coloca-os na frigideira, acrescenta uma pitadinha de sal e distribui o queijo apenas sobre uma das metades.

— A Memé não gosta de queijo, né, mamãe? Essa parte é para ela!

Aponta para a metade sem queijo, satisfeito com a própria organização.

Suspiro aliviada quando a parte do fogo termina e os ovos estão, enfim, seguros em seus pratos.

Meu alívio dura exatos três segundos.

O Senhor Bagunça arrasta sua mesinha até a geladeira, abre a porta, sobe nela e fica na ponta dos pés para alcançar a jarra de suco.

— Pepê! É perigoso pegar a jarra de vidro sozinho. Lembra o que pode acontecer se ela escorregar da sua mão e cair?

— Já sei, mãe! Cai, quebra e faz dodói no meu pé. Mas não vai cair! Eu já sou forte. Olha!

Com a segurança de quem pretende provar seu ponto, retira cuidadosamente a jarra, apoia-a sobre a mesa e desce. Em seguida, já segue para o armário em busca dos copos.

— Este suco de uva é meu. Falta só o de laranja da Helena, mamãe!

Olho, desacreditada, para a eficiência daquele pequeno menino.

Ele confere a mesa e, satisfeito com o próprio trabalho, dirige-se até o alto da escada. Dali, anuncia com a autoridade de quem acaba de assumir o comando da manhã:

— Memé! Desce! O café da manhã está pronto!

Helena aparece arrastando-se escada abaixo, ainda com as meias e os tênis nas mãos. Lança um olhar para a mesa e decreta:

— Está não! Cadê o pão?

O Senhor Bagunça olha para a mesa.

— Eu quero o pão pequenininho! — anuncia, apontando para a bisnaguinha.

Em seguida, volta-se para a irmã:

— Faz para mim, Memé? O seu fica muito mais gostoso do que o da mamãe!

Levo a mão ao peito, fingindo indignação diante de tamanha ingratidão.

— Ah, é? Então quer dizer que agora o pão da mamãe não é mais bom?

Café da manhã tomado, dentes escovados, mochilas e garrafas de água devidamente acomodadas no porta-malas.

Olho para o relógio e suspiro aliviada.

Exatamente na hora.

Dou partida no carro.

Mal saímos do condomínio, Helena me olha com certa desconfiança e pergunta:

— Para a escola você não precisa usar o Waze, né, mãe?

O espanto em sua voz entrega que ela conhece muito bem a minha proverbial falta de senso de direção.

— Helena, eu levo você para essa mesma escola desde os seus dois anos, né, amor…

Ela faz as contas por alguns segundos e arregala os olhos.

— Nossa! Sete anos fazendo a mesma coisa e indo pelo mesmo caminho… Não é muito chato, não?

Olho para ela, dividida entre rir e explicar que, quando se é mãe, conseguir fazer a mesma coisa, pelo mesmo caminho, durante sete anos e ainda chegar exatamente na hora talvez seja menos monotonia e mais uma espécie de conquista olímpica.

Penso por alguns segundos antes de responder:

— Veja bem… Levantar da cama querendo dormir só mais um pouquinho é chato, sim. Mas ver vocês crescendo, aprendendo e cuidando um do outro faz qualquer sono perdido valer a pena.

Olho para Helena, sentada ao meu lado, e depois para o Senhor Bagunça, acomodado em sua cadeirinha no banco de trás, distraído com a paisagem que corre pela janela.

Sorrio.

Talvez sete anos fazendo o mesmo caminho não sejam, afinal, sete anos fazendo a mesma coisa.

O caminho pode até ser o mesmo. A escola, a mesma. O horário, quase sempre o mesmo.

Mas, a cada manhã, eles são um pouquinho diferentes.

E eu também.